Abanic | Questões comuns sobre Terapia ABA
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18 mar Questões comuns sobre Terapia ABA

Apesar da qualidade e do alto sucesso da Terapia ABA, ainda há muitas dúvidas e mitos em torno do seu funcionamento. Este texto estará em constante renovação, com o objetivo de tirar dúvidas e apresentar a Terapia ABA de modo mais honesto e correto.

 

1. A Terapia ABA realmente funciona?

As pesquisas mostram que a Terapia ABA é o tipo de terapia mais efetivo para o tratamento de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo. Em um estudo clássico, Lovaas (1987) mostrou que 47% das crianças que passaram por Terapia ABA intensiva e precoce passaram a aprender e a se relacionar socialmente de maneira indistinguível de seus pares. Outras pesquisas na área obtiveram resultados semelhantes aos apresentados por Lovaas. Estudos abrangentes também demonstraram que a Terapia ABA é mais efetiva em comparação a outros tipos de terapia. Portanto, há fundamentos científicos para embasar a afirmação de que sim, a Terapia ABA é realmente efetiva.

 

2. Por que a Terapia ABA funciona?

A Terapia ABA é essencialmente educacional e os princípios de ensino que utiliza se mostraram eficientes com adultos, crianças típicas e com desenvolvimento atípico. É um sistema de ensino altamente motivador, que respeita o ritmo do estudante e constrói habilidades que o ajudam a aprender por si só. Por ser uma ciência em transformação, os princípios e procedimentos de ensino estão em constante aperfeiçoamento. A Terapia ABA promove a integração entre o que ocorre nos diferentes ambientes da criança: a terapia em si, o ambiente doméstico e a escola. A integração garante que todos ajudem no desenvolvimento da criança de modo mais efetivo.

 

3. O uso de reforçadores é realmente necessário?

É comum o pensamento de que a principal função dos reforçadores é manter a criança interessada no ensino. No entanto, manter o interesse é uma função secundária do processo. A principal função do reforçador é ensinar! Sem reforçador, não há aprendizagem. O reforçador tem dois efeitos importantes: ele torna uma resposta mais provável de ocorrer novamente, e faz com que essa resposta se torne mais provável diante de contextos adequados. Quando uma criança é reforçada pela primeira vez a dizer “bola” quando vê uma bola, aumentam-se as chances de (1) a criança dizer “bola” (2) e fazer isso diante do estímulo bola. Ou seja, o reforçador produz o ensino do que é bola.

O objetivo dos terapeutas ABA é que seus estudantes sejam naturalmente reforçados pelo aprendizado, ou seja, que aprender seja prazeroso por si só. Mas assim como acontece com crianças com desenvolvimento típico na escola, as crianças com autismo não se interessam naturalmente por todas as coisas que precisam aprender. Na escola, os professores e pais controlam as crianças com desenvolvimento típico por meio do sistema de notas (necessário para passar de ano), cobranças para que a criança estude e promessas para notas altas. Nem todos esses controles são reforçadores, infelizmente. Consideramos que alguns deles são, na realidade, inadequados. Por isso, na Terapia ABA utilizamos os reforçadores como meio de motivar nossos alunos com autismo a se desenvolver. O reforçador faz com que as crianças aprendam mesmo quando não entendem, em um primeiro momento, a importância do que desejamos ensinar. Desde o início do processo terapêutico planejamos sistemas para retirar gradativamente os reforçadores arbitrários, de modo que o reforçador natural do aprendizado seja a única motivação dos nossos alunos. Atividades no ambiente natural, brincadeiras, e outras estratégias, vão ajudando o nosso aluno a gradativamente entender a importância de aprender.

 

4. Por que tantos registros em Terapia ABA?

Por meio dos registros, o terapeuta mantém um controle de qualidade sobre o seu trabalho. O registro permite que o terapeuta identifique estratégias de ensino que estão dando certo, mantenha-as e as amplie. Mais importante ainda, o registro ajuda o terapeuta a identificar estratégias que não estão produzindo bons resultados: o que lhe possibilita planejar mudanças com o objetivo de ensinar melhor seus clientes. Esse processo é contínuo, produzindo um ciclo constante de aperfeiçoamento do trabalho realizado. Avaliar continuamente permite, em poucas palavras, que a terapia mude em função do que cada criança está demonstrando. Outra vantagem dos registros é que, por meio deles, os pais podem acompanhar minuciosamente o desempenho dos seus filhos, identificando prontamente seus sucessos, dificuldades e as estratégias utilizadas para solucionar eventuais problemas.

 

5. A Terapia ABA exige muito das crianças?

Não. Os terapeutas fazem uma avaliação cuidadosa da criança e propõem programas e atividades pertinentes ao seu nível de compreensão. Em nenhum momento é exigido que a criança demonstre habilidades ou realize atividades além do seu nível de entendimento. A dificuldade das tarefas aumenta gradativamente, em consonância com o desenvolvimento da criança. As transições entre as tarefas simples e complexas, portanto, ocorre naturalmente e de forma agradável.

 

6. Quantas horas eu devo fazer de Terapia ABA por dia? E por quanto tempo?

As pesquisas indicam que quanto mais horas de atividade, melhores os resultados da terapia. No Brasil, o comum é encontrar crianças que fazem terapia de 2 a 4 horas por dia. O ideal, de acordo com a literatura, é de 40 horas por semana (8 horas por dia, incluindo a escola). O tempo da Terapia varia de criança para criança. Aquelas com menos comprometimento podem ter um bom avanço em apenas dois anos. Crianças com mais dificuldades podem requerer acompanhamento por muitos anos.

 

7. A intensidade da Terapia ABA cansa as crianças?

Infelizmente, ainda se imagina que a Terapia ABA ocorra quase que exclusivamente em uma mesa de trabalho, com muitas tarefas similares às escolares. A realidade é diferente disso. Existe, sim, uma parte importante da Terapia ABA que ocorre em contexto estruturado. Porém, existem muitas estratégias de trabalho que ocorrem de forma lúdica e em ambiente natural. O mais correto é pensar na Terapia ABA como um sistema único e abrangente de abordar o comportamento da criança, um sistema que tanto aproveita momentos de lazer e atividades cotidianas para ensinar (como tomar banho, alimentar-se, etc), quanto às vezes planeja ambientes lúdicos e estruturados para que a aprendizagem ocorra. Dentro das 8 horas diárias, portanto, cabe qualquer momento de interação com objetivo de ensinar algo, seja em um modelo estruturado ou não. A resposta para a pergunta é, naturalmente, que não, a Terapia ABA não cansa as crianças porque parte do trabalho é brincadeira e a parte estruturada se torna divertida com o uso de reforçadores.

 

8. A Terapia ABA pode ser aplicada pelos pais da criança?

Sim, pode. Há muitas pesquisas mostrando que os pais podem ser excelentes terapeutas ABA se receberem instrução adequada. Há muitas vantagens em os pais serem aplicadores da terapia: eles passam a identificar com mais precisão a evolução dos filhos; eles têm maior contato diário com as crianças, o que melhora a relação entre eles; e eles são excelentes em produzir generalização, pois conseguem pedir mais facilmente em ambiente natural o que estão ensinando na situação terapêutica.

 

9. A Terapia ABA robotiza as crianças?

Esse é um mito. Os terapeutas ABA acreditam no potencial das crianças para se tornarem adultos inteligentes e independentes e jamais tratariam as crianças como robôs. Pelo contrário, os terapeutas ABA devem ser carinhosos e calorosos com seus clientes. O bom profissional ABA ensina aos pais e professores estratégias para tornar naturais as habilidades aprendidas em contextos terapêuticos. Há também estratégias de ensino lúdicas, em que o interesse da criança é utilizado como motor da aprendizagem, o que costuma resultar em ensino mais lúdico e criativo. Tão logo quanto possível, seja em situação lúdica ou estruturada, os terapeutas ABA começam a executar estratégias de desenvolvimento de comportamentos novos e criativos, como ensino por múltiplos exemplares, equivalência de estímulos, combinação e recombinação, generalização de estímulos e respostas, além de outras estratégias.